segunda-feira, setembro 3

é preciso encenar até sumir

Longos espaços de silêncio.
Parece que corro atrás do fio que perdi ao tentar retomar o fôlego.
Longo tempo esvaziando.
E nunca fui à bela Espanha dos meus sonhos, tão tumultuada nos meus pensamentos.
E à poente Inglaterra, tão grande em sua pequenez.
Mas o silêncio é grande e, se me deixo levar por ele, esqueço tudo, entranho-me em sua substância branca.
Lembro dos paços leves no corredor, em volta da porta.
São duros, certeiros, de quem não oferece clemência, nem sorte.
Mas continuo indo, e nem sei porquê.
Acho que vivo melhor assim, tendo que amarrar meus silêncios sob um esforço que me tira o ar.
E nem sempre consigo. Mas obrigo-me.
Pago por isso.
E tenho tanto medo.
Se parei de rezar, ainda sim tenho medo, e ainda digo, de dentro da minha descrença, meu deus, olhe por mim.
Respiro muito fundo, a doença me consome.
Cada palavra dita carrega, me parece, a morte de si mesma.
E morro com ela, cada vez mais ofegante, como quem acaba de nascer.
Ás vezes o pensamento sai como um jato, como se estivesse pronto.
Assusto tanto nessas horas, minha boca assume outra voz até encarar a próxima mudez.
Encaro o terror dessa experiência, esfrego as mãos mas não sinto frio.
Só ventila o que desorganiza, eu penso.
Aqueço-me, de alguma forma, na voz fria que vem do canto da sala escura.
Ela fala de mim, eu sei.
O que está fora do meu corpo, me parece muito íntimo, e não estou louca.
Toco o meu rosto, prendo uma mão na outra, procuro algum relevo, alguma ponta em que me agarrar.
Mas caio vertiginosamente, meus olhos muito abertos numa noite absolutamente clara.

2 comentários:

Unknown disse...

Nossa, que engraçado, eu escrevi dia desses uma crônica sobre uns quadros de paisagens urbanas de Barcelona que minha irmã trouxe da Espanha...é mais ou menos a mesma sensação...um país que muito me estima mesmo sem conhecer...uma visão incompleta, e só minha, de uma realidade tão distante...

sue disse...

putz mara. que coisa foda. éfe ó dê á.


lendo again, again and again.