quinta-feira, agosto 30
ainda não
segunda-feira, agosto 27
entre nada e nada, um rasgo. lance de vidas
O absurdo, se retorna, retorna transformado.
Devolvo um pouco da minha saúde a ouvidos mancos.
Um instrumento de sopro no fundo da música, uma leveza de som, uma leveza de dor.
Uma coisa qualquer que transformo, transfiguro, perde a gravidade, não tem peso. É provisório, é caco de tempo, mas um espaço vasto.
Uma longa rua, uma estranha via. E fujo por ela, e foge-se por ela. A rua vazia, o assunto que some naquele horizonte intocado.
Visto pijamas nos dias quentes.
Hoje vi um autômato numa sala escura, vi um autômato louco.
domingo, agosto 26
De como José se tornou um tributável
quinta-feira, agosto 23
de como maria se tornou invisível
foi aí que josé esfregou os olhos e voltou a enxergar.
segunda-feira, agosto 13
nesse solo quase discursivo - narrações
O que é esse torpor de insensatez?
Essa desmedida que se assenta por fora
E entra.
Negando o absurdo, reafirmo-o.
Inscrevo-o pelos lábios, pelos dedos.
Absurdo é negá-lo.
Porque loucura não é desatino,
É descolar, dar braçadas no ar,
Afogar no sentido, inscrever-se no silêncio.
A mudez rica de nadas cuja significância
Assola o olhar e rouba imagens do dia.
Polarizo os excessos
Para melhor confundi-los.
Aqueço as mãos com os pés
No mundo fictício do fogo,
No escândalo permanente
Que se inicia com o fim do sono.
Os pequenos abismos revelam
A sólida penumbra da incoerência,
A primitiva força que lateja
Ainda em segredo.
Procuro a vertigem.
Não, meu querido, não tenho tendências suicidas.
Mas gozo de torpor.
Gozo com o desequilíbrio,
Com a violência na minha saliva
Refratando o que me ameaça.
Corto os dedos pra não perdê-los.
Refaço meu corpo.
É o texto que diz.
Minha lei é teia
Nela caia o sujeito que sabe cair
E se entrega ao sabor suicida do aniquilamento suspenso.
A ficção que convença pelos seus fios
De armadilha boa.
Ocorre-me o mar,
Meu fascínio pela majestade infinita
Do mar oceânico.
Fascina-me o tamanho grande das coisas
E mesmo o tamanho grande das coisas pequenas
Dos átomos insuspeitados e seu universo constelar,
Carregando Galáxias.
Por ora, no entanto, não é isso que interessa.
Vamos ao apagamento silencioso que
Deixa constrangida a absurda normalidade
Das coisas médias:
um abandono.
A vertigem dos dias continua
Aquele fino desejo de truncar a ordem
Fazer irromper o caos contido nos objetos.
Fazer pular o motivo do engasgo
E encerrar a gagueira.
Pra sempre.
terça-feira, agosto 7
sobre o amor pela janela
Parez-vous, dansez, riez, je ne pourrais jamais envoyer l’Amour par la fenêtre."
arthur rimbaud.
quando somos muito fortes, - quem recua? muito alegres, - quem cai do ridículo? quando somos muito malvados, - o que se fará de nós?
enfeitai-vos, dançai, ride, eu não poderia nunca atirar o Amor pela janela.