terça-feira, agosto 5

Extravio do mundo

Uma carta às vezes não chega a seu destino.


Era contra o esquecimento. De repente cada passo ficava mais pesado, apertado. Deus, vida dura. Que maçada os telefonemas, que maçada o que é preciso fazer por dinheiro. Doídas até as lembranças boas. De um amor passado. O maior deleite possível era agora um chuveiro quente no fim do dia, um bife macio uma vez por semana. O tempo me levando pouco a pouco pro túmulo. Já não uso perfumes, tenho poucas roupas no armário. O mínimo. O mínimo. As lembranças de um amor antigo doem tanto quanto o primeiro domingo de abandono. As noites ficaram tristes. E me pergunto quando é que começaram a perder seu fascínio. Era contra o esquecimento, mas tornava-se, dia a dia, o monumento da amnésia do mundo. Porque a tristeza é tudo de que não queremos lembrar. O grande recalque humano. Ando junto com o tempo, caminho em direção ao olvido eterno da morte. As unhas quase sempre sujas, os shampoos baratos, a voz cada vez mais rouca de cigarros e cachaça. Era preciso desacostumar a viver. Assim, não ter o que cobrar da vida. Do futuro. Do que não pôde ser. Porque o tempo deixara aquele cheiro enjoado no seu corpo. A casa toda poluída de nicotina e poeira. O sofá tão antigo quanto o amor. Jamais freqüentava médicos, clubes, shoppings, teatros, livros e jornais. Surpreendia-se a pensar que o silêncio um dia chegará. E seu corpo será finalmente embrulhado no envelope maciço da morte, e, como uma carta escrita para dizer que a tristeza existe, não terá nenhum endereço e, por isso, nem passado nem futuro. Desaparecerá sem jamais ter sido lida. Esse dia será um data esquecida.

quarta-feira, julho 23

Assim:

As pessoas sempre nas ruas, com seus relógios de pulso. Era um tipinho anti-social, que achava prazeres em lugares impossíveis. O calor do anonimato, dos jatos d’água, de uma arquitetura urbana. Colecionava breves anotações que compilava de alguns muros, livros, rótulos. Nunca compreendeu a vida dos vizinhos.

As pessoas sempre dentro das casas, com seus almanaques eletrônicos, suas risadas abafadas pela solidão. O calor da luz elétrica, da tv, das telas, quadros, espelhos. Era um tipinho anti-social que jamais conversara com os bichos. Interessavam-lhe poucos livros, quase nenhum amigo, algumas palavras.

Em seu quarto havia garrafas d’água por todos os lados, um abajur de luz branda, roupas espalhadas para que fossem encontradas. Fumava às vezes pra ver se alguma coisa acontecia. Gostava da chuva, da noite, do silêncio das músicas.

Em su’alma, um terror apaziguado pelo arrastar do tempo, pelas noites de sono, pelas bebidas cálidas. Certa vez exagerara na dose. Foi encontrado uma semana depois, com o corpo finalmente habitado pela vida extasiante dos pequenos animais.

domingo, julho 13

Salto

Enquanto eu entrecortava frases tristes, seus olhos, pouco a pouco, tornavam-se um poço mais fundo, como se pudessem retirar-se de si para, então, reencontrar-se, penetrando na fundura infinita de sua esfera sem centro. Tentei conter o peso das palavras, trazê-las pela borda, pela sua sobra: o riso. Mas era tarde, algum estrago já tinha sido feito, uma visão terrível fora acessada naquela conversa mal entendida, sobre os perigos do jogo, sobre os prazeres do jogo. Ela tinha agora um poço nos olhos, negros, que diziam de quedas. “Devemos evitá-las”, eu respondia-os. Ela tentava conter o alargamento desse espaço profundo, interromper a extensão incalculável de sua dor – de sua queda -, mas vazava os olhos, numa potência envergonhada do próprio amor. Fugir era, pois, fincar-se, escavar mais e mais o lugar infinito da ausência.

terça-feira, julho 8

ensaio* de tradução e réplica.

1. Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure**

2. Vem a noite, soa a hora
eu permaneço, os dias vão embora


3. eu aqui fico, o amor vai-se agora
eu desapareço, o amor se demora
eu puro vento, o resto, memória
eu me repito
partir
fim de história

*ensaio no sentido de essai, essayer, tentar.
** le pont mirabeau, de guillaume apollinaire
*** tenho vergonha de rimas, mas aprecio o eventual exercício do descaramento.

sexta-feira, julho 4

desparáfrase, ode ao que vai.

desparafraseio, então: o nunca foi o melhor lugar em que já estive.
porque lá era simples assim: se o hoje é aqui (o nunca), onde seria amanhã pouco importava. a liberdade calava o medo, morriam teorias de amor. apagavam-se as escritas, e o peso da eternidade,, construir uma casa no nunca é livrar-se da esperança, e ver desabar o instante em puro agora. não padecer pelo além, mas bastar-se nele. e fazer-se vento, bastar-se no mundo grande. era preciso viver a palavra: partir.

quinta-feira, junho 5

angústia do finito: fragmento

A essa sua rudez que a ele, e só podia ser assim, parece graciosa, ela responde com uma ternura inabitual: “agora não”. “Mas está tudo bem, não gostamos um do outro” - diziam, a não ser desse modo indireto e obliquo que ele chamava desejo. Sem a mediação do amor, desejaram-se durante todo esse tempo que se seguiu após as duas últimas estações. Ele de olhos grandes sobre seus seios, e ela tentando entender o que se passava por detrás de seu ceticismo cínico, o qual manejara astuciosamente em função do que queria. Nesses encaixes, rendeu-se, ele sabia bem, rendeu-se por vezes a um jogo nebuloso e vil, no qual ela andava como andam as sombras dentro da espessura de uma vida – a vida do homem. Para saciar a impetuosidade morna daquele descontínuo mas insistente desejo, tomaram emprestado os sentimentos de outros, e fizeram uso sujo de camas alheias. Tudo para criar espaços que sobrepujassem os dejetos de amores já idos. Justapondo, feito entulho de lixo, amores mortos, podiam, com toda a mácula do mundo nas mãos, oferecer um ao outro essa dose de indiferença – amarga bebida - que alimentava aqueles corpos que fingiam um desalento legítimo – era preciso fingir todo o tempo. Solenemente, criavam uma certa curta distância entre si – aí instalaram o encontro.

“Sei que não devo dizê-lo, mas digo assim mesmo, em cima de seu tolo triunfo, tamanha é a obviedade da conclusão: o desalento, querido, o desalento, a ficção, toda o cinismo que cabe num rosto, o desejo esvaziado de toda a corporeidade é a tradução ruim de um precário amor.” – com as palavras mornamente encolerizadas, ela organizava essa sintaxe.

sábado, maio 3

sir spleen won't be able to come

aprendemos a ler de um jeito peculiar, muito próprio. e por isso sei que quando escrevo uma carta, deveria anexar traduções, ou pelo menos grifar palavras e puxar notas de clareza pelos espaços que restam vazios. cada afirmação acaba pedindo um alerta para o que eu não queria dizer, mas de certa forma, acabei dizendo. é pouco confortável essa sensação de limites que nos escapam.

reza a lenda que um dia esse mal-estar passa e o costume vem. mas que quando ele vier, tornaremo-nos seres vãos e apáticos. se tivermos sorte, poderemos descansar em paz na bênção da ignorância, fazendo piqueniques no rio do esquecimento. a mesma lenda diz, porém, que se essas águas pararem seu curso, seremos atormentados por uma nostalgia muito forte do nosso antigo mal de vários nomes: fome. espera. dúvida.

você se lembra da escola em que fomos? lá se ensinavam definições que acabavam em reticências. nossas professoras tinham mundos muito grandes, sabe? e não nos escondiam deles. foi nessa época que nos mostraram que o etc. era, de longe, a maior parte de qualquer enumeração.

enfim, isso tudo era para dizer que achei rabiscos na capa do seu caderno que esqueceu aqui. e lendo-os, revelou-se me o erro no jeito de ler nossa palavra. e também no jeito de escrevê-la. sim, sei que deveria ter deixado o caderno onde ele estava. sei que não eram escritos para mim, mas não acreditava em segredos. eu violei.

mas entendi. é tudo muito certo e muito exato, ainda que em sua incerta e inexata medida possível. agora cada palavra é grande o suficiente para conter seu próprio fim. assim como eu, enfim, pude conter minha saciedade e meus limites. peço leves desculpas, não me lembro mais de seu rosto

domingo, abril 27

mater, mater.

quando mostrei a ele o papel amassado com minha letra miúda, ele dissera que parecia o grito de munch, e que era bonito. a outro ele, eu mostrava palavras alheias sobre um amor que não era meu porque era dele, mas que também não era dele, porque de tantos outros. no entanto, talvez para não macular ou ofender a pureza e a sinceridade do que eu lhe oferecia, ele fez logo um elogio, que - claro, aceitei, na avidez mal contida que me era típica.

mais tarde estava eu a sentir o chão, experimentando a loucura em generosas doses. percorria um grande teatro. luzes apagadas : l'enfer c'est moi. respirei. quis sublinhar mentalmente as imagens que me assomavam, e tentava reconhecê-las, racionalizá-las, vencê-las. mas não pude. ao fim, encenei-as todas, debatendo-me como marie de godard em seus lençóis brancos.

não podia ser assim. sabia. mas de que me adiantava saber da falta de pulso e fôlego? e das veias, do vazio do corpo. eu me sabia, me repugnava, me continha. entre tantos movimentos: espasmos de nevermore. grande mentira e maior revolta, porque nada disso era novo.

bastaria me virar completamente pelo avesso uma única vez para que toda essa marca ficasse pra trás, toda a inércia. hoje levo feridas que insistem em invadir-me a memória a cada vez que o peso do querer ameaça os pulmões. apesar disso, entre os claros límpidos e ilibados seres inatingíveis, escondo um porém altivo. tenho um segredo, um carma, um céu e um inferno. o desespero e a esperança me foram dados em igual violência, brutalidade e tolice. tenho o silêncio o sono e a noite: a cura?

sexta-feira, abril 25

no fundo do espelho interminável

Trazia uma branc’asa sobre os braços, a quem curar os ferimentos sofridos graças à longa viagem de fuga do sertão. E remir os pecados durante o procedimento de assepsia das penas, aquelas funduras ásperas por onde metia as mãos, a fim de salvar a ave que desistia pouco a pouco de tentar nova fuga. “Acalme-se, branc’asa, que a fortuna já vem”, dizia o velho, sabendo que toda solidariedade se firma num solo de primitiva inocência, obriga uma singeleza dessas em que se fala a aves na língua dos homens. “Acalme-se, branc’asa”, repetiu várias vezes. Um instante de descuido, então, e aquelas asas brancas entreviram um facho de céu pela janela, por onde alçou um vôo torto, sonhando azul em tanta água intocável.

quinta-feira, abril 24

para casa: o que fazer com a saudade

O espaço desfaz-se nos teus olhos. O tempo enclausurado neste instante puro, que esfacela os minutos em volta. Duas aulas sobre como cortar a marcha ininterrupta dos ponteiros. Duas aulas numa imagem só, neste rosto que há muito não vejo, e vejo o tempo todo, numa lição infinita. De espaço, de tempo. Sua aula. Petrifiquei-a, para mim. Para meu uso, para meus sonhos, para nosso xadrez e ardor. Porque uns tais olhos, a cintilar de eternidade, crispa-me de repentina vida, em sonora impossibilidade manifesta – você. Tantas cartas, tantos versos, tantas ofensas de vetor homônimo. Uma mesma direção, esta imagem petrificada, só minha. Lugar dos meus sonhos, onde me dissolvo inteira numa tépida traição – esse nosso jogo. O torpor das peles, mergulhadas em espaço líquido, fluido. Imponderáveis seus gestos acima da cabeça vil. Atrás, sempre atrás, o maestro impassível, vegetando uma orquestra subterrânea. Que você ouve à noite quando fecha a porta do seu quarto de família - reduto dos anjos. Quereria eu saber. Então fui. À noite, previa, os anjos executam essa canção secreta em nossos ouvidos e eu durmo com teus olhos, as tuas aulas, nesse para-sempre-jamais que passei a habitar.

segunda-feira, abril 21

em Petits poèmes en prose

"Au fond de ses yeux adorables, je vois toujours l'heure distinctement, toujours la même, une heure vaste, solennelle, grande comme l'espace, sans division de minutes ni de secondes - une heure immobile qui n'est pas marquée sur les horloges..." Baudelaire

domingo, abril 20

pioneer to the falls

3 e 33 da manhã. Quarta-feira, noite adentro. O cabelo cheirando a cigarro e três fracassos no bolso. Interpol no fundo. É preciso uma cidade grande.

O estômago ardendo. A vida se concentra toda ali. Estou só, com Interpol, sem sono.

A mulher havia morrido, secretamente, enquanto eu pensava na falta que você me faz. E me senti mal, meu Deus, me senti mal com a morte inesperada dessa mulher desconhecida, corroída por medicamentos que prometiam milagres. Não adianta. Quase nada adianta, é fácil constatar.

terça-feira, abril 15

qualquer um

Esgotar-me-ei, eu disse baixo. Estou neste minúsculo ponto que separa dois mundos. O primeiro foi uma abertura inicial. O segundo: a resignação dos justos. O que estou dizendo, você pergunta. Não sei responder quase nada que me perguntam, é tudo que posso afirmar agora.

Neste ponto tudo é escasso, definitivo. Não terão explicações eficazes, é só um ponto e pronto. Isso é a justiça, a justiça começando, resignada ante suas próprias leis. Eu canto: um. E está-se diante do primeiro nascimento. Enxoto o terceiro e o segundo número que se multiplicaram sem a minha ordem, para, assim, morar na ambigüidade seca e masculina de um.

Sim, ainda tenho aquele engasgo abaixo da garganta. E uma estupidez urbana me consumiu até este momento. Este ponto segundo em que me encerro, em dispersão sonolenta e dura, como dura é a matéria de que é feito. Incorpora o diabo apenas quem conhece a santidade, disso sempre soube. E aqueles que rezam ainda confundem santos e demônios. Porque as pessoas não chegaram nesse ponto conclusivo ao qual só se chega por distração.

É assim: só faz uma oração quem se esquece de Deus.
Essa foi a ordem. Então, o ponto.

sexta-feira, fevereiro 22

O reparo

Num radinho antigo, em volume quase inaudível, tocava qualquer música veiculada por uma emissora selecionada ao acaso. A voz do cantor, quase emudecida nas pequenas caixas de som, vinha de um canto escuro da sala, enquanto estava Augusto a engastar-se no conserto do liquidificador velho e embaçado de sujeira. A casa tão vazia quanto sua cabeça, esquecida das memórias que outrora tentara espantar. Augusto deixava rolar as horas da madrugada. Já passava de meia-noite e não sentia sono. Esquecido era mesmo a palavra mais exata para fazer referência a esse homem que, imbuído dessa tarefa ordinária, relevante para as donas-de-casa e os maridos menos abastados, atribuível ao dia-a-dia de um qualquer, esquecia-se quem era. Não cogitava até mesmo a importância de tal empreitada, uma vez que talvez mais fácil fosse comprar logo um aparelho novo e limpo e se livrar de vez daquelas miúdas peças. Pouparia trabalho e gastaria apenas uns trocados. Mas tal raciocínio era ignorado nesse instante. Augusto cumpria sua tarefa como um cego que anda em linha reta, firme, sem bengalas ou cão-guia, esquecido, inclusive, de sua própria cegueira. A destinação daqueles movimentos, do reparo daqueles objetos – rosca, parafusos, lâminas, motor –, pouco importava. Sem saber, aquilo o distraía de uma coisa chamada existência para que existisse sem a sua idéia. Tratava-se de uma solidão incredulamente perfeita, porque, ela também, não era a memória de si, nem expectativa de si, mas algo silenciosamente vivido num gole infinito e instantâneo. Não se tratava de rancores rememorados, tristeza, medo ou neuroses típicas da vida moderna, onde mergulham não raramente os homens celibatários contemporâneos. Augusto era apenas um homem que, numa madrugada quente, consertava, sozinho, o seu liquidificador.

terça-feira, fevereiro 19

(...)

"o amor e seu abutre o amor


entenebrece


de bile quando sede"



Haroldo de Campos - signantia. p. 75.

segunda-feira, fevereiro 11

_______________\\

Usar apenas uma pequena parte do papel passa a ser o mais importante depois de algumas tentativas desajustadas. Mas, veja bem, isso não é um desperdício, é um gesto precioso e exato. Porque, se escrever tem algo de uma medida cirúrgica, a operação é minuciosa, caro leitor, minuciosa e fatal. Ou nunca desconfiou de que escrever é sempre uma fatalidade, mas uma fatalidade que nunca acontece, não é fato? A operação é vertiginosa, exige cuidado, porém, é preciso acrescentar, é irremediavelmente desastrosa. Porque a palavra é precária, a sintaxe é pouca. Tenta-se, inclusive, retirar, muitas vezes, o que resta dessa (insuficiente) sintaxe, afrouxá-la, enrijecê-la com outros nós, torcê-la a fim de que possa abrir o pensamento, tonificá-lo. O que resta dessa violência: quase nada. Trata-se, contudo, da velha e opaca imagem com que teima minha experiência: das ruínas, algo sempre está a erguer-se. Algo improfícuo? Talvez... Mas que nada se mantenha por muito tempo de pé. Porque os museus são tão cansativos, são intocados. A escrita, ao contrário, é movimento. Lembremos da delicada dança da ponta de uma caneta sobre o papel inteiramente branco, caligrafando... Delicada dança do sacrifício humano, de homem-letra que sussurra como um enfermo que sucumbe devagar e se afoga em segredo na própria doença. E docemente fecha os olhos para nunca mais abrir. Silenciosamente, estamos fechando os olhos para sempre. É nesse momento que se dobra a página e recoloca a caneta, deitada, num estojo antigo e retangular escondido no fundo da gaveta. Sabe como é, toda essa insistência – é sempre uma pretensão insistente – é vergonhosa. Se obedecêssemos sempre ao impulso primeiro e mais sensato de nossa consciência, lançaríamos, após concluídos, todos os textos ao lixo imediatamente e não restaria nada, absolutamente nada a que se ler. Entre uma coisa e outra, deixe, portanto, um risco melindroso, mas oblíquo, no canto da página, ao menos rubrique seu nome, mande uma carta em branco a algum desconhecido. Risque as pautas até a metade da folha, e angustie o leitor. Deixe que ele vislumbre o abismo em que se arrisca a palavra, e nós mesmos. Deixe que ele toque suas mãos trêmulas que suspendem, por instantes, as suas linhas tortas. E depois resignar-se, porque nada, nada se pode fazer.

segunda-feira, fevereiro 4

epifania n° 23

i'm SO sorry.

(é ligeiramente difícil tirar beleza disso)