quinta-feira, abril 24
para casa: o que fazer com a saudade
O espaço desfaz-se nos teus olhos. O tempo enclausurado neste instante puro, que esfacela os minutos em volta. Duas aulas sobre como cortar a marcha ininterrupta dos ponteiros. Duas aulas numa imagem só, neste rosto que há muito não vejo, e vejo o tempo todo, numa lição infinita. De espaço, de tempo. Sua aula. Petrifiquei-a, para mim. Para meu uso, para meus sonhos, para nosso xadrez e ardor. Porque uns tais olhos, a cintilar de eternidade, crispa-me de repentina vida, em sonora impossibilidade manifesta – você. Tantas cartas, tantos versos, tantas ofensas de vetor homônimo. Uma mesma direção, esta imagem petrificada, só minha. Lugar dos meus sonhos, onde me dissolvo inteira numa tépida traição – esse nosso jogo. O torpor das peles, mergulhadas em espaço líquido, fluido. Imponderáveis seus gestos acima da cabeça vil. Atrás, sempre atrás, o maestro impassível, vegetando uma orquestra subterrânea. Que você ouve à noite quando fecha a porta do seu quarto de família - reduto dos anjos. Quereria eu saber. Então fui. À noite, previa, os anjos executam essa canção secreta em nossos ouvidos e eu durmo com teus olhos, as tuas aulas, nesse para-sempre-jamais que passei a habitar.
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Um comentário:
achei mais presença que saudade aí... tô vendo torto?
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