O que é esse torpor de insensatez?
Essa desmedida que se assenta por fora
E entra.
Negando o absurdo, reafirmo-o.
Inscrevo-o pelos lábios, pelos dedos.
Absurdo é negá-lo.
Porque loucura não é desatino,
É descolar, dar braçadas no ar,
Afogar no sentido, inscrever-se no silêncio.
A mudez rica de nadas cuja significância
Assola o olhar e rouba imagens do dia.
Polarizo os excessos
Para melhor confundi-los.
Aqueço as mãos com os pés
No mundo fictício do fogo,
No escândalo permanente
Que se inicia com o fim do sono.
Os pequenos abismos revelam
A sólida penumbra da incoerência,
A primitiva força que lateja
Ainda em segredo.
Procuro a vertigem.
Não, meu querido, não tenho tendências suicidas.
Mas gozo de torpor.
Gozo com o desequilíbrio,
Com a violência na minha saliva
Refratando o que me ameaça.
Corto os dedos pra não perdê-los.
Refaço meu corpo.
É o texto que diz.
Minha lei é teia
Nela caia o sujeito que sabe cair
E se entrega ao sabor suicida do aniquilamento suspenso.
A ficção que convença pelos seus fios
De armadilha boa.
Ocorre-me o mar,
Meu fascínio pela majestade infinita
Do mar oceânico.
Fascina-me o tamanho grande das coisas
E mesmo o tamanho grande das coisas pequenas
Dos átomos insuspeitados e seu universo constelar,
Carregando Galáxias.
Por ora, no entanto, não é isso que interessa.
Vamos ao apagamento silencioso que
Deixa constrangida a absurda normalidade
Das coisas médias:
um abandono.
A vertigem dos dias continua
Aquele fino desejo de truncar a ordem
Fazer irromper o caos contido nos objetos.
Fazer pular o motivo do engasgo
E encerrar a gagueira.
Pra sempre.
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