e no copo que você colocou sobre a mesa, com a marca dos dedos sujos, ficou o resto do beijo. e na rua por onde arrastou seus pés, ficou um pouco dos passos.
e claro que havia o céu e o desejo nas veias. além de toda a beleza que podia ser, mas simples e inexplicavelmente, não era pra você. porque os olhos a sua frente não te olharam uma única vez sequer.
naquela noite, você dormiu como um anjo exausto. no corpo, ainda um pouco de êxtase sobrevivia, como os ecos da música mais bonita que já tocara seus ouvidos.
e ao acordar, suas mãos estariam sobre os ouvidos, tentando proteger o som distante que ainda persistia, porém cada vez mais fraco.
na verdade, eu só queria te pedir pra não se assustar com o silêncio quando a falsa melodia morrer: agora.
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2 comentários:
este texto, tropp, parece-me, retomando o meu último post, uma carta endereçada a alguém que passou cachoeira abaixo. e sempre podendo ser enviada a outros endereços, e errar.
esse texto, maraíza, também pode ser carta que se recebe e cujo sentido só se elabora quando a encaminhamos, como você disse, a outros endereços.
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