da carta aberta sobre a cama, vinha um mundo inteiro. da letra que passara de familiar a indecifrável, saíam rostos palpáveis, os domingos chuvosos, a tv e os gatos no quintal. nada de novo no longe de sempre. saudade, desejos e regrets incontidos na fala, extravasando pelas linhas desenhadas sobre o papel.
da carta aberta sobre a cama, escapava um mundo novo - aquele a que se aspirava, e saíam pessoas e seus sons, o medo, o cansaço. estava ali cada fio de cabelo, cada floco da neve rala que caía sobre a pele. estavam as folhas secas, o vento frio, a natureza morta.
era como se o quarto e as vidas se tornassem infinitos e insuficientes ao mesmo tempo. era como não caber naquele momento em que se espremiam vozes, rostos e faltas: o abismo atlântico que une em silêncio os traços que falam aos olhos que lêem.
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Um comentário:
entendi, agora, o que dizia domingo.
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