Acho que aos poucos vou ganhando esperteza. Vou aprendendo a contornar as palavras com cuidado, sem acordar o sono infinito que as envolve. Contorno a silhueta das palavras com a pontinha dos dedos e faço outras - novas - com barro, silêncio e espaços vazios. Depois, faço-as dormir o sono de morte. Cerro-lhes os olhos como quem beija um filho. Cerro os olhos das palavras e me despeço da sua luz vazia.
Desejo que essas linhas componham a geografia insuspeitada de um sujeito sem marcas, que perdeu as suas palavras. Vou tentar dizer um lugar. Com a minha língua vazia vou, só com o que é de agora, deixando vazar nesse espaço uma vida de papel, que não é para ser vivida, é extasiante e fina.
Colho os espinhos para eles deixarem de ser rosa.
Ter uma existência menos oblíqua não define a minha escrita.
Espeto meus dedos nessa experiência, quase os perco.
Eu leio, não escrevo mais. Aqui me acomodo com grande dificuldade.
A linha é sempre ambígua, como tudo que não tem conteúdo: é o próprio conteúdo. Linha, pedra, palavra.
Essa escrita não tem ossos, nem articulação. É venosa, capilar, final.
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4 comentários:
mara, sublinho escrita venosa e jogo reticências... não repara miss, mas dialogar com o que vai além da pele é coisa cada vez mais difícil
hey, cadê um outro post que estava aqui????
joguei fora. rsrsrs
pois que vêm uns caminhos novamente trazer às mãos as garotas: bem vida de volta. que venham bons ventos, sempre, é o que desejo e pelo que rezo.
beijos
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