Uma carta às vezes não chega a seu destino.
Era contra o esquecimento. De repente cada passo ficava mais pesado, apertado. Deus, vida dura. Que maçada os telefonemas, que maçada o que é preciso fazer por dinheiro. Doídas até as lembranças boas. De um amor passado. O maior deleite possível era agora um chuveiro quente no fim do dia, um bife macio uma vez por semana. O tempo me levando pouco a pouco pro túmulo. Já não uso perfumes, tenho poucas roupas no armário. O mínimo. O mínimo. As lembranças de um amor antigo doem tanto quanto o primeiro domingo de abandono. As noites ficaram tristes. E me pergunto quando é que começaram a perder seu fascínio. Era contra o esquecimento, mas tornava-se, dia a dia, o monumento da amnésia do mundo. Porque a tristeza é tudo de que não queremos lembrar. O grande recalque humano. Ando junto com o tempo, caminho em direção ao olvido eterno da morte. As unhas quase sempre sujas, os shampoos baratos, a voz cada vez mais rouca de cigarros e cachaça. Era preciso desacostumar a viver. Assim, não ter o que cobrar da vida. Do futuro. Do que não pôde ser. Porque o tempo deixara aquele cheiro enjoado no seu corpo. A casa toda poluída de nicotina e poeira. O sofá tão antigo quanto o amor. Jamais freqüentava médicos, clubes, shoppings, teatros, livros e jornais. Surpreendia-se a pensar que o silêncio um dia chegará. E seu corpo será finalmente embrulhado no envelope maciço da morte, e, como uma carta escrita para dizer que a tristeza existe, não terá nenhum endereço e, por isso, nem passado nem futuro. Desaparecerá sem jamais ter sido lida. Esse dia será um data esquecida.
Era contra o esquecimento. De repente cada passo ficava mais pesado, apertado. Deus, vida dura. Que maçada os telefonemas, que maçada o que é preciso fazer por dinheiro. Doídas até as lembranças boas. De um amor passado. O maior deleite possível era agora um chuveiro quente no fim do dia, um bife macio uma vez por semana. O tempo me levando pouco a pouco pro túmulo. Já não uso perfumes, tenho poucas roupas no armário. O mínimo. O mínimo. As lembranças de um amor antigo doem tanto quanto o primeiro domingo de abandono. As noites ficaram tristes. E me pergunto quando é que começaram a perder seu fascínio. Era contra o esquecimento, mas tornava-se, dia a dia, o monumento da amnésia do mundo. Porque a tristeza é tudo de que não queremos lembrar. O grande recalque humano. Ando junto com o tempo, caminho em direção ao olvido eterno da morte. As unhas quase sempre sujas, os shampoos baratos, a voz cada vez mais rouca de cigarros e cachaça. Era preciso desacostumar a viver. Assim, não ter o que cobrar da vida. Do futuro. Do que não pôde ser. Porque o tempo deixara aquele cheiro enjoado no seu corpo. A casa toda poluída de nicotina e poeira. O sofá tão antigo quanto o amor. Jamais freqüentava médicos, clubes, shoppings, teatros, livros e jornais. Surpreendia-se a pensar que o silêncio um dia chegará. E seu corpo será finalmente embrulhado no envelope maciço da morte, e, como uma carta escrita para dizer que a tristeza existe, não terá nenhum endereço e, por isso, nem passado nem futuro. Desaparecerá sem jamais ter sido lida. Esse dia será um data esquecida.
5 comentários:
puta que pariu, maraíza.
Putaquiupariu II
mata não, Maraíza...
:(
sim, mto bom, maraíza, pode secar só um pouquinho mais...
eh esse tipo de carta q vcs me mandam, neh?
muito lindo...
... não seque nada.
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