terça-feira, abril 15

qualquer um

Esgotar-me-ei, eu disse baixo. Estou neste minúsculo ponto que separa dois mundos. O primeiro foi uma abertura inicial. O segundo: a resignação dos justos. O que estou dizendo, você pergunta. Não sei responder quase nada que me perguntam, é tudo que posso afirmar agora.

Neste ponto tudo é escasso, definitivo. Não terão explicações eficazes, é só um ponto e pronto. Isso é a justiça, a justiça começando, resignada ante suas próprias leis. Eu canto: um. E está-se diante do primeiro nascimento. Enxoto o terceiro e o segundo número que se multiplicaram sem a minha ordem, para, assim, morar na ambigüidade seca e masculina de um.

Sim, ainda tenho aquele engasgo abaixo da garganta. E uma estupidez urbana me consumiu até este momento. Este ponto segundo em que me encerro, em dispersão sonolenta e dura, como dura é a matéria de que é feito. Incorpora o diabo apenas quem conhece a santidade, disso sempre soube. E aqueles que rezam ainda confundem santos e demônios. Porque as pessoas não chegaram nesse ponto conclusivo ao qual só se chega por distração.

É assim: só faz uma oração quem se esquece de Deus.
Essa foi a ordem. Então, o ponto.

3 comentários:

Unknown disse...

wow. este texto parece uma porta batendo, tanto no som quanto na .. "textura", digamos assim. entre uma batida e um estalo. "ponto".

mas acho que desobedeço o esquecimento de deus.


bom te ler de volta, mara.
=)

Unknown disse...

bárbaro, muito bom mesmo...vou até reler alguma coisa sobre o um.

maraiza disse...

sempre (nossas) portas e janelas, hein, sue?! ou ao menos fragmentos delas.